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A MORTE DA MORALIDADE

Texto da jornalista Alexandra Torres

 

Oi gente.

Essa semana quero usar esse espaço para fazer um desabafo. A minha profunda tristeza pela morte de algo muito importante: a moralidade.

Não venho aqui fazer apologia puritanista, não.
Não estou falando de moralidade no sentido teológico do pecado. Não é isso. Mas daquele sentimento inato que deve mover o ser humano de respeito à valores que são básicos para que se possa viver em sociedade, tais como respeito, integridade, caráter, educação, fraternidade, ética. Coisas que as pessoas se preocupavam em deixar como herança para

filhos e netos.

ARTIGOS

 

A morte da moralidade

Desabafo de uma velhinha diante da ONDA VERDE

Ensinamentos das mães de antigamente - Pra lembrar e rir

Crianças orando por um mundo melhor

Inclusão de Valores Humanos nos currículos escolares

Além dos Conteúdos

Adrenalina

Pedagogia da presença

Meninos-bolhas - Uma juventude sem ética

A difícil arte de dizer não aos filhos

O paradoxo do Nosso Tempo

Da neurociência às praticas sustentáveis

 

Nos últimos anos cada vez mais assistimos ao desmoronamento desses princípios considerados hoje, por uma parcela significativa da população como insignificantes, desnecessários.  E não pensem que isso se dá na classe dita "carente" apenas não. Pelo contrário! É em classes sociais ditas "instruídas" que esses conceitos estão deixando de existir.


São essas classes que estão "ditando" o que "o povo quer e gosta", desde que esse querer e gostar signifique milhares de reais a mais na sua conta bancária ao final do mês. Não interessa que o "produto" que eu vou oferecer à massa hipnotizada pelos clamores do sexo, do álcool e das drogas seja cada vez mais alucinógeno e danoso. Não. O que importa é que eu consiga manipular multidões que, levadas pelos extintos mais primários do ser humano, se animalizam e se pervertem em níveis cada vez maiores chegando até ao deterioramento moral e físico.

E o pior, a grande massa não percebe isso.
Pior, a grande massa também é composta por pessoas ditas "intelectuais e instruídas" que dependentes de seus instintos não conseguem pensar como seres humanos que são, deixando-se levar pelo chamado "cérebro reptiliano", nossa ligação com o primitivismo do qual todos nós viemos e, pasmem, alguns ainda fazem questão de se manter.

É lamentável vermos uma sociedade onde os pais estão ensinando aos filhos a se avaliarem pelo que tem de posses e não de qualidades morais. Adolescentes que estão enlouquecendo pela busca do "corpo perfeito", na paranóia de serem cada vez mais sensuais em suas fotinhas de facebook, orkut. Rapazes que confundem masculinidade com "beber até cair" numa pseudo demonstração de força aos seus "amigos" tão equivocados como eles. Ver pais de família se endividando e se digladiando como "urubus em cima do pedaço de carniça à beira da estrada", brigando por equipamentos que não precisam, simplesmente porque "estava em promoção", numa cena animalesca e deprimente.

E quem está insinuando e cultivando isso na mente da massa?
Aquilo que nós chamamos de veículos de comunicação. Mídias.
Nome bonito. Com missão grandiosa. Porém, com utilização perniciosa de uns tempos para cá.

E que me perdoem os colegas de trabalho ou a quem mais minhas sinceras e, porque não dizer, angustiadas palavras doerem e incomodarem, mas o fato é que somos também responsáveis pela queda do padrão moral de nossa sociedade.

Há 12 anos, aquela que é considerada a grande rede de comunicação desse país coloca no ar um programa com tudo aquilo que existe de mais deprimente, medíocre e baixo na televisão brasileira. Neste CAMPEÃO DE AUDIÊNCIA os grandes heróis e heroínas são criaturas vazias, agressivas, maldosas, maledicentes, fúteis que usam de todas as artimanhas para ganhar R$ 1 milhão.

Este campeão de audiência diz à você há 12 anos que passe a prestar atenção na vida do outro, na intimidade do outro, no que o outro está fazendo, inclusive nas relações sexuais do outro. Enquanto você não olha para o que de fato importa: pra você e para o que estás fazendo com a tua própria vida.

Festas afrodisíacas, corpos sarados, mulheres gostosas são vendidos como a realidade da nossa sociedade, como se vida fosse apenas isso: comer, beber, transar e sacanear com o seu parceiro.

Há alguns anos, e não precisa ir muito longe não, observar a intimidade de um casal era considerado um crime. Quem praticava o voyerismo, como é chamado, era considerado uma pessoa desvios sexuais, alguém que precisava de tratamento.

Hoje, milhares de jovens e adultos PAGAM, eu disse PAGAM tranquilamente um canal de assinatura na net para DAR UMA ESPIADINHA no que os "brothers" estão fazendo quando saem do ar. E aqui, nesse grupo que vara a madrugada brechando o que é feito na CASA MAIS OBSERVADA DO BRASIL, como os seus maravilhosos criadores a definem, estão pais e mães de famílias, profissionais liberais, educadores, pessoas da lei e da justiça. Todos nivelando-se pelo que possuem de mais primitivo: o instinto animal.

Essa semana, a 12ª edição do CAMPEÃO DE AUDIÊNCIA marcou 80% o Ibope. Sabe por quê? Porque todo mundo queria saber se havia ou não ocorrido um dos crimes mais bárbaros que um ser humano pode cometer a outro: ESTUPRO.

O assunto correu as redes sociais, a mídia em geral.
O vilão? Um modelo. A vítima? Uma moça embriagada. O local? O quarto da CASA MAIS OBSERVADA DO BRASIL.

O assunto é alvo de polêmica, claro. Afinal, uma moça supostamente foi estuprada em frente às câmeras assistidas por milhares de pessoas. Mas, quantas não torceram para saber se ela acordaria ou não? Quantos, de fato, se surpreenderam com o que viam e ligaram para a polícia? Quantos acham que aquilo é um jogo de cena para ganhar ibope?

E ai, a grande rede de televisão pensa em como resolver o assunto. Primeiro: vamos tirar o vídeo do ar já que agora rolou polícia. Segundo: vamos faturar em cima dando ibope, ou seja, colocando o modelo NO PAREDÃO e o eliminando do programa. Resolvido então o problema.

NÃO. O problema não está resolvido porque o local que permite e incentiva que esse tipo de coisa aconteça continua no ar, incólume, intocável.

Fico me perguntando se as diversas mocinhas e mocinhos que assistem e comentam tão nobre programa gostariam de estar no lugar desses dois jovens que estão com as vidas manchadas por uma "diversão" onde tudo vale. Gostaria de saber se os pais e mães desse país que assistem e fazem questão de deixar os filhos na sala assistindo tão nobre produção televisiva e que comentam na frente deles os "babados dos brothers", gostariam de ver seus filhos numa situação similar ou, ainda, ter a sua intimidade de casal invadida pelos vizinhos que ficassem "brechando" pela janela ou pelo telhado para "dar uma espiadinha no quarto do lado".

Está na hora da sociedade, aquela parcela que ainda busca ter algum princípio de respeito por si próprio e pelo que lhe cerca, tomar uma atitude para dar um basta nesse assassinato de tudo que existe de mais sagrado na vida; conceitos morais divinos de respeito a si e ao seu próximo, antes que tenhamos mais pais e mães tendo que chorar pela derrocada de si mesmos e de seus filhos "hipnotizados" pelo ganho do dinheiro fácil, bastando apenas ser medíocre para se alcançar o que deseja.

Esta na hora do boicote a empresas que patrocinem esse tipo de programa, porque sem dinheiro "deixa de haver campeão de audiência". De desligar os aparelhos de televisão durante o horário em que programas como esses são transmitidos.

Está na hora dos cidadãos de bem saírem do comodismo e passarem a atuar, de fato, na sociedade.

Está na hora da gente começar a ser aquilo que exigimos dos outros: coerentes.
 

 

 

 

 

 

DESABAFO DE UMA VELHINHA DIANTE DA ONDA VERDE
Autor desconhecido

"Na fila do supermercado o caixa diz uma senhora idosa que deveria trazer suas próprias sacolas para as compras, uma vez que sacos de plástico não eram amigáveis ao meio ambiente.

 A senhora pediu desculpas e disse:  Não havia essa onda verde no meu tempo!

O empregado respondeu: "Esse é exatamente o nosso problema hoje, minha senhora. Sua geração não se preocupou o suficiente com nosso meio ambiente. "
"Você está certo", responde a velha senhora, nossa geração não se preocupou adequadamente com o meio ambiente.

Naquela época, as garrafas de leite, garrafas de refrigerante e cerveja eram devolvidos à loja. A loja mandava de volta para a fábrica, onde eram lavadas e esterilizadas antes de cada reuso, e eles, os fabricantes de bebidas, usavam as garrafas, umas tantas outras vezes.

Realmente não nos preocupamos com o meio ambiente no nosso tempo. Subíamos as escadas, porque não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhamos até o comércio, ao invés de usar o nosso carro de 300 cavalos de potência a cada vez que precisamos ir a dois quarteirões.

Mas você está certo. Nós não nos preocupávamos com o meio ambiente. Até então, as fraldas de bebês eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. Roupas secas: a secagem era feita por nós mesmos, não nestas máquinas bamboleantes de 220 volts. A energia solar e eólica é que realmente secavam nossas roupas. Os meninos pequenos usavam as roupas que tinham sido de seus irmãos mais velhos, e não roupas sempre novas.

Mas é verdade: não havia preocupação com o meio ambiente, naqueles dias. Naquela época tínhamos somente uma TV ou rádio em casa, e não uma TV em cada quarto. E a TV tinha uma tela do tamanho de um lenço, não um telão do tamanho de um estádio; que depois será descartado como?

Na cozinha, tínhamos que bater tudo com as mãos porque não havia máquinas elétricas, que fazem tudo por nós. Quando embalávamos algo um pouco frágil para o correio, usamos jornal amassado para protegê-lo, não plástico bolha ou pellets de plástico que duram cinco séculos para começar a degradar.
Naqueles tempos não se usava um motor a gasolina apenas para cortar a grama, era utilizado um cortador de grama que exigia músculos. O exercício era extraordinário, e não precisava ir a uma academia e usar esteiras que também funcionam a eletricidade.

Mas você tem razão: não havia naquela época preocupação com o meio ambiente. Bebíamos diretamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de usar copos plásticos e garrafas pet que agora lotam os oceanos. Canetas: recarregávamos com tinta umas tantas vezes ao invés de comprar uma outra. Afiávamos as navalhas, ao invés de jogar fora todos os aparelhos 'descartáveis' e poluentes só porque a lâmina ficou sem corte.

Na verdade, tivemos uma onda verde naquela época. Naqueles dias, as pessoas tomavam o bonde ou de ônibus e os meninos iam em suas bicicletas ou a pé para a escola, ao invés de usar a mãe como um serviço de táxi 24 horas. Tínhamos só uma tomada em cada quarto, e não um quadro de tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos. E nós não precisávamos de um GPS para receber sinais de satélites a milhas de distância no espaço, só para encontrar a pizzaria mais próxima.

Então, não é risível que a atual geração fale tanto em meio ambiente, mas não quer abrir mão de nada e não pensa em viver um pouco como na minha época?

 

 Não conhecemos o autor

 

 

Ensinamentos das MÃES DE ANTIGAMENTE:
 

Pra lembrar, e rir...


Coisas que nossas mães diziam e faziam... Era uma forma, hoje condenada pelos educadores e psicólogos, mas funcionou com a gente e por isso não saímos seqüestrando a namorada, calculando a morte dos pais, ajudando bandido a sequestrar a mãe, não nos aproveitamos dos outros, não pegamos o que não é nosso, nem matando os outros por ai, etc...

Minha mãe ensinou a VALORIZAR O SORRISO...
"ME RESPONDE DE NOVO E EU TE ARREBENTO OS DENTES!" (e arrebentava mesmo...)

Minha mãe me ensinou a
RETIDÃO...
"EU TE AJEITO NEM QUE SEJA NA PANCADA!"

Minha mãe me ensinou a
DAR VALOR AO TRABALHO DOS OUTROS...
"SE VOCÊ E SEU IRMÃO QUEREM SE MATAR, VÃO PRA FORA. ACABEI DE LIMPAR A CASA!"

Minha mãe me ensinou
LÓGICA E HIERARQUIA...
"PORQUE EU DIGO QUE É ASSIM! PONTO FINAL! QUEM É QUE MANDA AQUI?"

Minha mãe me ensinou o que é
MOTIVAÇÃO...
"CONTINUA CHORANDO QUE EU VOU TE DAR UMA RAZÃO VERDADEIRA PARA VC CHORAR!"

Minha mãe me ensinou a
CONTRADIÇÃO...
" FECHA A BOCA E COME!"

Minha Mãe me ensinou sobre
ANTECIPAÇÃO..
"ESPERA SÓ ATÉ SEU PAI CHEGAR EM CASA!"

Minha Mãe me ensinou sobre
PACIÊNCIA...
"CALMA!... QUANDO CHEGARMOS EM CASA VOCÊ VAI VER SÓ..."

Minha Mãe me ensinou a
ENFRENTAR OS DESAFIOS...
"OLHE PRA MIM! ME RESPONDA QUANDO EU TE FIZER UMA PERGUNTA!"

Minha Mãe me ensinou sobre
RACIOCÍNIO LÓGICO...
"SE VOCÊ CAIR DESSA ÁRVORE VAI QUEBRAR O PESCOÇO E EU VOU TE DAR UMA SURRA!"


Minha Mãe me ensinou sobre o
REINO ANIMAL...
"SE VOCÊ NÃO COMER ESSAS VERDURAS, OS BICHOS DA SUA BARRIGA VÃO COMER VOCÊ!"


Minha Mãe me ensinou sobre
GENÉTICA...
"VOCÊ É IGUALZINHO AO SEU PAI!"

Minha Mãe me ensinou sobre minhas
RAÍZES...
"TÁ PENSANDO QUE NASCEU DE FAMÍLIA RICA É?"

Minha Mãe me ensinou sobre a
SABEDORIA DE IDADE...
"QUANDO VOCÊ TIVER A MINHA IDADE, VOCÊ VAI ENTENDER.
.."

Minha Mãe me ensinou sobre
JUSTIÇA...
"UM DIA VOCÊ TERÁ SEUS FILHOS, E EU ESPERO
QUE ELES
FAÇAM PRÁ VOCÊ O MESMO QUE VOCÊ FAZ PRA MIM! AÍ VOCÊ VAI VER O QUE É BOM!"

Minha mãe.  me ensinou
RELIGIÃO...
"MELHOR REZAR PARA ESSA MANCHA SAIR DO TAPETE!"

Minha mãe me ensinou o
BEIJO DE ESQUIMÓ..
"
SE RABISCAR DE NOVO, EU ESFREGO SEU NARIZ NA PAREDE!"

Minha mãe me ensinou
CONTORCIONISMO...
"OLHA SÓ ESSA ORELHA! QUE NOJO!"

Minha mãe me ensinou
DETERMINAÇÃO...
"VAI FICAR AÍ SENTADO ATÉ COMER TODA COMIDA!"

Minha mãe me ensinou habilidades como
VENTRÍLOQUO...
"NÃO RESMUNGUE! CALA ESSA BOCA E ME DIGA POR QUE É QUE VOCÊ FEZ ISSO?"

Minha mãe me ensinou a
SER OBJETIVO...
"EU TE AJEITO NUMA PANCADA SÓ!"

Minha mãe me ensinou a
ESCUTAR ...
"SE VOCÊ NÃO ABAIXAR O VOLUME, EU VOU AÍ E QUEBRO ESSE RÁDIO
NA TUA CABEÇA!"

Minha mãe me ensinou a
TER GOSTO PELOS ESTUDOS...
"SE EU FOR AÍ E VOCÊ NÃO TIVER TERMINADO ESSA LIÇÃO, VOCÊ JÁ SABE!..."

Minha mãe me ajudou na
COORDENAÇÃO MOTORA...
"JUNTA AGORA ESSES BRINQUEDOS!! PEGA UM POR UM!!"

Minha mãe me ensinou os
NÚMEROS...
"VOU CONTAR ATÉ DEZ. SE ESSE VASO NÃO APARECER VOCÊ LEVA UMA SURRA!"

Brigadão, Mãe !!!

Eu não virei bandido...


 Não conhecemos o autor

 

 

 

 

Crianças orando por um mundo melhor

 

É um movimento independente de religião, credo ou crença, para a promoção

de uma rede de orações realizadas por crianças, visando potencializar nelas

o amor pela vida, pela natureza, por tudo que existe.

 

Foi desenvolvida em parceria com este Programa,

 Cinco Minutos de Valores Humanos para a Escola,

e faz parte do movimento "Orando pela Terra".

 

Orar pela Terra e pela humanidade é um ato de amor que gera

 efeitos benéficos também entre os que oram.

 

O convite é para você, diretor de escola, educador, professor, pedagogo, pai/mãe,

 orientador ou cuidador de crianças a integrar este movimento: que tem duas

finalidades, cada qual mais importante:

 

1- Infundir nas crianças, mesmo de forma subliminar, valores como o amor, o afeto, o cuidado

 com a natureza, com a humanidade, com a vida, e piedade para com os que sofrem.

 

2 - Colaborar com a Terra e o ser humano, tendo em vista que diversas pesquisas

 científicas, fundamentadas na Física Quântica, evidenciam a importância

 e os efeitos produzidos pela oração.  (No site www.orandopelaterra.org são

apresentadas inúmeras pesquisas e experimentações científicas sobre a oração,

 que modifica o próprio DNA, gera efeitos sobre as moléculas da água, etc.)

 

 

Conheça esta proposta

 

Visite o site:

  http://queremosummundomelhor.webnode.com.br

Ali você vai encontrar também sugestões de orações e

visualizações próprias para crianças.

 

 

 

 

Além dos Conteúdos

Publicado em 14/3/2009

 

Educadores do Ceará desenvolveram programa de Educação em valores humanos tentando minimizar a distância entre o conhecimento e esses valores na prática do ensino. A busca por mudanças ganhou o Brasil até chegar ao sul, mas há unanimidade quanto ao longo caminho que ainda deve ser percorrido

 

Quando o assunto é Educação muito se fala em formação e conhecimento, mas pouco se fala em Educação integradora ou em valores humanos. Segundo a educadora e consultora de Cultura de Paz da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Regina Migliori, o ser humano se compõe de múltiplas dimensões (biológica, intelectual, cósmica, planetária, entre outras), entretanto a Educação trabalha somente a dimensão intelectual. "Todas as dimensões devem ser desenvolvidas em uma Educação integradora, que consegue desenvolvê-las de forma integrada e harmônica", explica.

 

Para a diretora do Instituto Migliori, o grande desafio da Educação é desenvolver as inteligências e competências subordinadas a uma esfera de valores humanos universais. "Não basta ser competente ou inteligente se isso é usado a serviço da destruição, da violência", afirma Regina. Ela acredita que o ideal é que o processo educativo trabalhe as dimensões de competência e de responsabilidade do ser humano. "É preciso ensinar a ser competente do ponto de vista ético", acrescenta. A educadora idealiza uma Educação que subordine o conhecimento aos valores humanos.

 

Cinco minutos

Valores que são a aposta de educadores e pesquisadores do Ceará que desenvolveram o programa "Cinco Minutos de Valores Humanos" e o disponibilizam gratuitamente pelo site www.cincominutos.org.

 

O programa é constituído por aulas de cinco minutos sobre questões relacionadas aos valores humanos, direcionadas a alunos do Ensino Fundamental. Doutora em Educação pela Universidade Federal do Ceará e integrante da equipe do projeto, Maria do Socorro Souza explica que a ideia surgiu da necessidade de promover uma interlocução entre professores e alunos acerca do tema. De acordo com a coordenadora do programa, a escritora Saara Nousiainen, a iniciativa surgiu com a possibilidade de solucionar as principais dificuldades que surgiriam ao se tentar inserir Educação para valores humanos nos conteúdos ensinados em sala de aula. "A proposta é de aulas diárias de apenas cinco minutos para que não se tornem cansativas para as crianças e para que possa ser facilmente implantada pela escola por não interferir na programação curricular", explica Saara.

 

 

Mundo mais justo

Saara Nousiainen garante que os conteúdos ministrados tem vinculação com nenhuma religião específica, mas abordam, eventualmente, a religiosidade e o amor em sua forma universal. Segundo a coordenadora, é na fase infantil que esses valores encontram maior ressonância e por isso o programa foi iniciado nessa fase. "Não houve tempo hábil para alguma escola implementar o programa, mas a receptividade tem superado as nossas expectativas".

 

Saara ainda dá ênfase à abordagem das duas vertentes em que a humanidade evolui. "Numa delas está o conhecimento. Na outra, temos o desenvolvimento da pessoa enquanto ser humano. Ocorre que há uma imensa defasagem entre elas".

 

Para ela, trabalhar valores humanos representa o fortalecimento dessa segunda vertente, o que geraria uma humanidade mais justa e igualitária e com mais possibilidades de felicidade real.

 

Conteúdo e formação

Regina Migliori também ressalta a importância de tirar o foco dos conteúdos e dar mais ênfase à formação do ser humano. "É preciso dialogar com os alunos como seres humanos e apresentar não o ser humano da competência instrumental como vemos hoje e sim, o ser humano competente e benéfico, ético", explica a educadora.

 

Ela acredita que é preciso recuperar a capacidade de formação e de transformação da Educação. Modificação que deve ser iniciada nos professores e profissionais das escolas. Segundo Maria do Socorro Souza, grande parte dos educadores, mesmo possuindo instrução e a informação acerca de alguns valores, os possuem apenas no nível intelectivo, mas ainda não os internalizaram. "Muitos não possuem autoridade ético-moral para tanto, assim não têm energia para bem  influenciar, não passam "uma verdade" nas aulas que ministram sobre o assunto", complementa.

 

O exemplo de casa

Mesmo os pais têm necessidade de transformação para promover o aprendizado dos filhos nas questões de valores humanos. "A grande maioria dá péssimos exemplos aos filhos: mentem ao telefone, são desonestos com pequenas coisas, egoístas no trabalho e no lar, no trânsito", afirma Maria do Socorro. A doutora explica que, para que exista a formação integradora do ser, de forma que os alunos internalizem essa questão, é necessário que pais e educadores vivenciem de verdade tais valores.

 

Ainda nesse sentido, Migliori sugere uma transformação também em muitos dos acadêmicos e pesquisadores da Educação. Ela enfatiza que é preciso parar de discutir o assunto e começar a praticá-lo, moldando a Educação em valores humanos em um processo de construção conjunta. "Hoje, tem muita gente estudando esse assunto, mas poucos estão colocando-o em prática. Quando falamos de valores humanos universais falamos de algo que, de fato, é universal e não está vinculado a um autor ou a uma filosofia".

 

Regina ainda afirma que os valores humanos estão na essência do ser humano, além das bibliografias. "É simples, como o amor é simples, como a paz também é. Essa simplicidade deve ser resgatada pela Educação. Visões sectárias só vão nos atrapalhar".

 

Em prática

Por e-mail, Saara apresentou o programa "Cinco Minutos de Valores Humanos" à Secretaria de Estado da Educação de Santa Catarina. Em resposta, integrantes da secretaria pediram dois exemplares dos livros do projeto, um para a biblioteca central e outro para análise da equipe responsável, é o que conta a coordenadora de projetos e ações multidisciplinares do órgão, Maria Benedita da Silva Prim. "Nós gostamos muito, porque os temas e sugestões de aplicabilidade nas aulas estão de acordo com a nossa proposta de trabalho nas escolas".

 

Maria Benedita explica que os temas foram incluídos no currículo de toda a Educação Básica e também na de jovens e adultos (EJA). Eles foram divididos em oito temáticas que serão trabalhadas nas escolas o tempo todo, em todas as 1323 escolas da rede estadual de Santa Catarina. Segundo a coordenadora, o conteúdo do livro "Cinco Minutos de Valores Humanos" será útil em todas as temáticas. "O que o professor pode fazer é adequar os questionamento de acordo com a idade/série e disciplina", incentiva. O início das atividades contou com sugestões de aula para professores e gestores em reuniões e palestras. "O resultado foi imediato, gerando bastante reflexão e até mudança de atitudes", conta Maria Benedita.

 

Segundo ela, os professores esperam que, com a inclusão dos "valores" no cotidiano escolar, as relações interpessoais melhorem. "Ainda é cedo para uma resposta mais certeira, mas esperamos a minimização do racismo, preconceito, discriminação e violência (bullying) nas escolas", complementa.

 

A contribuição de Pestalozzi

As bases para o trabalho pedagógico "Cinco Minutos de Valores Humanos para a Escola" estão na contribuição teórico-pedagógica do educador suíço Johann Heinrich Pestalozzi. Nascido em Zurique, em 1746, o órfão de pai encontrou nas dificuldades a consolidação de sua personalidade predominantemente humanista. Em 1798, durante a invasão francesa, o educador reuniu crianças desamparadas e passou a cuidar delas, colocando em prática a Educação como um desenvolvimento total do indivíduo, influenciado pelas ideias de Jean Jacques-Rousseau. Pestalozzi é considerado hoje um dos pais da Educação autônoma, com ênfase na formação do homem ético, sem desprezo pelo desenvolvimento cognitivo. Para ele, o conhecimento não era propriamente adquirido, mas sim desenvolvido, o aluno precisaria, então, somente do estímulo do educador para a Educação moral e espiritual, ou seja, integral. A Educação para Pestalozzi tinha como finalidade própria a humanização do homem.

 


CopyleftCopyleft - é livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

 

 

 
 

ADRENALINA
 
 
 
 “O estresse é o resultado de o homem criar uma civilização que, ele, o próprio homem já não mais consegue suportar”.
 
Dr. Vladimir Bernik
(Estresse: O assassino silencioso)
 
 Como educar para que uma droga natural e imprescindível para a vida não se torne uma arma para a morte.
 
Lembro-me de um experimento feito com ratos num laboratório, onde eles se reproduziam em espaço limitado. Quando começaram a sentir a falta de espaço ou comida, algumas caíram em estados depressivos, isolavam-se nos recantos e se deixavam morrer, em tanto outras se matavam entre si.
 
A adrenalina, droga gerada pelo organismo em casos de medo é o recurso necessário e imprescindível para a defesa. Se não fosse assim, a espécie humana teria se extinguido. Os nossos ancestrais moravam em cavernas y a reação perante o perigo era automática. Atacar ou correr.

 

Mas a luta pela sobrevivência era só para se defender das ameaças naturais?  Também era necessária a defesa contra o homem. Mesmo havendo espaço de sobra, devia-se brigar pela terra que proporcionava a comida. Cada tribo tinha seu próprio território, fosse para preservá-lo ou amplia-lo. Isto nos explica a antiga tradição do “guerreiro” e as qualidades morais que historicamente o distinguem.
 
Podemos supor que naquele tempo, cada indivíduo de um grupo humano devia aprender a se comportar respondendo a esse meio ambiente. Talvez fosse o início do que hoje entendemos por educação.
 
Desde a antiguidade até meados do século passado a guerra por diferentes motivos era um assunto de adrenalina pura. Enaltecer o território e empolgar as multidões era simples e bem organizado. Até as mães despediam com alegria aos seus filhos e recebiam orgulhosas as condecorações. Espalhavam-se as glórias e a emoção por defender a pátria. Porém, as baixas, as mutilações, os escombros e a triste comprovação de tudo ser uma farsa para manter poderes e fábricas que se enriqueciam com o sangue derramado, foram decepcionando cada vez mais pessoas. Houve alguma mudança nos sistemas
educativos, perante essa decepção? Nos anos 80 a UNESCO falava em “desarmar mentes para armar a paz” e propunha, dentre várias reformas, eliminarem dos livros de ensino toda frase de conteúdo bélico e exaltação nacionalista desmedida. Procurava-se o desarmamento e a união dos povos e as raças do mundo.
 
Já passaram mais de 60 anos desde os horrores de Hiroschima e Nagazaqui e milhões de barbáries. Hoje as guerras não são glorificadas e o mundo entra em pânico porque sabemos que existe um armamento nuclear capaz de destruir o planeta várias vezes.
 
No entanto, a vida acorda a cada dia com sua arquitetura moderna de arranha-céus, grandes autopistas, luxuosas vitrinas, etc., etc., e muitos, demasiados, acordam nas madrugadas arrumando papelões, farrapos e colchões para poder seguir “vivendo”. 
 
Milhões de crianças no mundo nascem na violência, fome, prostituição, analfabetismo, nascem sem possibilidades e o que é pior, segundo dizem os cientistas, os neurônios morrem após os primeiros anos de vida de uma criança desnutrida, fato que poderíamos qualificar de genocídio. Eles desconhecem desde o berço outra vida melhor, desconhecem o conforto, a boa alimentação, a família, o amor e muitos nascem “casualmente” e terminam sendo um estorvo. Esperanças, projetos, ideais? Com fome e incultura não é possível sonhar. Aqueles que nascem nestas condições têm praticamente vedada a possibilidade de evoluir. Neste panorama decadente da sociedade o estresse e a violência são características.   
 
Mas toda situação de risco produz adrenalina. A violência individual, o terrorismo, a violência em centros de ensino, a destruição de famílias, a falta de trabalho, os jovens que continuam achando nas drogas sua válvula de escape. Aqueles que nascem em famílias “normais” também não se liberam do estresse causado pela insegurança do desemprego. E os medos se agigantam. A cada dia há mais crianças abandonadas. A mídia explora a situação e reitera permanentemente todo ato delitivo, o horror é cada vez maior e as notícias escorregam sangue. Tudo isso produz pânico coletivo sem contar as agressividades que temos que viver por causa dos desastres naturais. A mídia pode e deve colaborar para uma mudança de mentalidade. Pode e deve dedicar mais tempo à divulgação de fatos louváveis e não insistir tanto no delitivo e o macabro.
 
.Com este panorama visto muito superficialmente (há bibliotecas sobre o tema) não podemos imaginar uma sociedade sadia. È que o problema vai muito além da pobreza extrema e a marginalidade. Jactamos-nos de que hoje as crianças nascem com os olhos já abertos. Apenas saem do conforto do ventre materno, a maioria deverá se adaptar rapidamente ao estrondo dos aparelhos de áudio, buzinas, gritos e todo o caos que a sociedade moderna produz além do que foi dito anteriormente. O resultado? Um
número elevado de crianças hiper-ativas.
 
Se todos os medos e inseguranças produzem um estado natural de defesa (instinto de conservação) gerado por uma substância química chamada adrenalina, se pensarmos que a natureza e a sociedade sempre foram e seguirão sendo agressiva ao indivíduo, podemos chegar a uma conclusão. 
 
 
A ADRENALINA é uma droga natural necessária, mas como toda droga pode produzir hábito e a necessidade de obtê-la.
 
E caso não encontrar a forma de dosificá-la, possivelmente cada vez mais pessoas necessitem essa ansiedade, essa vertigem que algumas situações produzem. È possível que sem tomar conta, a agressividade nas escolas, ruas e muitos centros de ensino, como o estamos vivendo, se torne normal buscando a adrenalina. É claro, isso vai depender do meio ambiente em que o indivíduo estiver se formando ou que já foi formado. Se o meio é violento, então talvez, por exemplo, um passeio calmo em contato com a natureza, para muitos poderá resultar bastante aborrecido por falta de “emoção”.

 
 

Um caso real.
 
Uma mãe que educava seus filhos para “a não violência” (não lhes comprava brinquedos bélicos), observando que os meninos eram vítimas de piadas e agressões por parte de vários companheiros na escola, consultou um psicólogo.  O psicólogo lhe disse: “Senhora, você não pode desproteger seus filhos, está criando meninos pacíficos para um mundo violento”.
 
Ficamos pensando.
 
Se nos prepararmos todos para a violência, qual é a sociedade que nos espera? 
 
 
A adrenalina produzida por um ressentido social pode chegar a ser uma arma mortal.
 
O perigo inicial da nossa espécie já é bem longe. Hoje os perigos são diferentes. Qual é a forma de identificar os verdadeiros riscos? Tem-se dito até o cansaço que o pior inimigo do homem é o homem.
 
Uma verdadeira educação deveria aprofundar NA VIDA. Desde o micro até o macro, desde o DNA até o universo, desde a semente até a árvore, etc. Assim, estaríamos sensibilizando, fomentando a criatividade, a curiosidade perdida, o amor e o respeito pelo desconhecido. Estaríamos assim criando valores, despertando sentimentos, virtudes e tantas maravilhas que nos diferenciam das outras espécies. 
 
Hoje acontece que se estuda para o mercado, mas este é inconstante, instável. Pode mudar de um dia para outro deixando atrás uma multidão de “imprestáveis”. A triste realidade do mundo é que muitos profissionais terminam sua carreira e logo passam para as filas dos desempregados e sobrevivem
realizando tarefas que não exigem estudo nenhum. Esta situação tão comum em nossa sociedade produz um fracasso que e é o pior dos fracassos. É o fracasso dos ideais da juventude. E uma sociedade sem ideais é uma sociedade morta.
  
Necessitaremos uma educação diferente?
 
A paz pode ser só uma palavra bem bonita, sonhada por poetas e idealistas, caso a educação continue tendo somente bases utilitárias. Estuda-se “para o mercado” e confunde-se “educação” com “instrução”. Educar é criar no indivíduo uma forma de pensar que mais adiante dirija seu próprio comportamento. A educação define-se como um meio de preparar às pessoas para se comportar de forma previsível, concordando com as costumes do grupo humano e os riscos que deve enfrentar. Logo, a educação se retroalimenta com aquilo que quer preservar. Da outra parte, instruir é proporcionar conhecimentos e só isso. Mesmo que o conhecimento não subentende necessariamente formas de comportamento, é natural que haja uma íntima relação entre a educação e a instrução. O indivíduo
aplicará os conhecimentos de uma ou outra maneira, segundo seja a forma de pensar que a educação lhe haja inculcado. Se a pessoa adquire desde a infância uma educação guiada para o discernimento e não enclaustrada em velhos conceitos, se conseguirmos despertar sentimentos para amar a vida, aplicará os conhecimentos numa forma bem diferente de quem haja sido educado achando somente aplicação utilitária a todo conhecimento adquirido.    
 
Existem muitas instituições e filosofias que trabalham por uma sociedade melhor, mas faltam estruturas para realizar uma educação integral. As maravilhas científicas e toda a evolução tecnológica, hoje nos permitem olhar um planeta Terra paradisíaco, mas o mundo se separa rapidamente.  De um lado se vai para o espaço ou o DNA. De outro lado temos um panorama decadente.  Caso não se ponha uma urgência em cuidar as crianças de hoje, em 15 anos lamentaremos o irrecuperável.
 
 
Alicia Carabajal

 
Novembro de 2010 
 

 

 

Pedagogia da presença

 

Construímos nossa sociedade a partir da exploração, física e/ou psicológica do outro. E alguns de nós assim agem com uma tranqüilidade (ou estupidez, ou uma ignorância) incompreensível. Há, inclusive, quem exerça tais violências em nome de Deus – como se Deus pudesse ser medido no sistema métrico humano. Mas, tenho certeza, isto todos/as os/as senhores/as já sabem.

Preciso acrescentar, entretanto, e ainda que rapidamente, outra dimensão – maior ainda – da violência que homens e mulheres cometem contra homens e mulheres. Bilhões de seres humanos, ainda no ventre materno, são condenados à morte. Geralmente são africanos, são asiáticos, são latino-americanos – são brasileiros. Há também norte-americanos e europeus, embora em menor proporção.

Estas crianças, que teimam em nascer, são filhos e filhas da classe trabalhadora – classe à qual nós pertecemos, não podemos esquecer disto –, estão em nossas escolas e dependem dela para driblar a pena de morte à qual estão, por nascimento, condenadas. São os ‘matáveis’ que sentam nas carteiras das escolas públicas (anti-anatômicas) e semeiam esperanças porque, desde cedo, aprendem que precisam arar a terra se quiserem colher o pão. São meninos e meninas de barriga vazia que se queimam em nossas salas de aula (sem ventilação) aguardando a “hora da merenda”: grande parte das vezes, a primeira ou única refeição do dia. E ainda há quem defenda a broa e a bolacha com suco (?). São moças e rapazes humilhados nas filas de ônibus, nos postos de saúde, na espera por um emprego, na condição de pedinte, na marginalização a que também são submetidos.

Milhares de crianças morrem de fome diariamente. Centenas de milhões dormem nas ruas. Outras tantas são prostituídas porque precisam ludibriar o estômago. E há um número astronômico de viciados: precisam esquecer a vida, precisam inventar uma fantasia, ainda que estúpida, ainda que suicida.

Todas estas crianças, todos estes jovens e estes adultos sentam-se nos bancos das escolas públicas. Penso que a história de vida deles e delas, o desrespeito e desumanização de que são vítimas representam conteúdos imprescindíveis para a formação da cidadania. NINGUÉM CONSEGUE TRANSFORMAR A PRÓPRIA HISTÓRIA SE NÃO A CONHECE. Este “conteúdo” parece ser um excelente ponto de partida (e de chegada) para as propostas pedagógicas das nossas escolas, para a elaboração de uma escola pública de qualidade social.

Evanilson Tavares de França

Aracaju-SE

etfrancapoti@yahoo.com.br

 

 

 

MENINOS-BOLHAS

 

Uma juventude sem ética

Gazeta do Povo - Publicado em 30/03/2009

 

João Malheiro

 

 

Cada vez mais, nos dias que correm, pais e educadores de jovens e adolescentes se deparam com um problema muito sério nessa passagem difícil da adolescência para a idade adulta: a grande indiferença para o aprendizado moral e para a vivência ética das virtudes.

De fato, observa-se que são muitos os jovens que passam, como ensinava Piaget, dessa fase da heteronomia moral - fase de viver o que lhe mandam - para a fase da autonomia ética de forma bastante indiferente e desinteressada, como se suas escolhas não determinassem, em parte, sua felicidade e seu futuro. A resposta para este fenômeno parece estar não só na desvalorização e/ou incapacidade familiar e escolar para a educação ética/moral, mas também no atraso dessa passagem que a própria família e a sociedade de consumo estão provocando, mais ou menos inconscientemente.

Infelizmente, como diz Tony Anatrella, renomado psicanalista francês, uma das maiores contradições de nossa sociedade ocidental consiste em fazer crescer a juventude muito rapidamente, facilitando-lhe várias experiências precoces, muitas delas nocivas, e, ao mesmo tempo, animá-la a permanecer adolescente o maior tempo possível, com as facilidades de uma vida cômoda e sem dificuldades. Aprofundemos no fenômeno.

Desde a mais tenra idade, tanto os pais como as empresas de consumo, com seus poderosos veículos de comunicação de massa, ambos com intenções muitas vezes duvidosas e pouco éticas, procuram satisfazer as crianças com todos os equipamentos de diversão e comunicação, de forma que os "convençam" que ficarem em casa, no seu quartinho, como numa autêntica "bolha protetora de micróbios", é a forma de serem e viverem mais felizes e seguras, depois da escola. Constroem para eles uma autêntica "bolha material", onde há pouco espaço para o diálogo educativo e para as amizades verdadeiras. Como aponta Tânia Zaguri, sentimentos de culpa pela ausência e omissão dos pais, que têm que trabalhar, são muitas vezes os motivadores para esses excessos.

Quando chegam à idade de desenvolver mais suas capacidades e habilidades intelectuais, as famílias as "entopem" de cursos e esportes extraescolares, com a ilusão de que assim conseguirão maior realização profissional futura. Entretanto, como com a "bolha material" só conseguiram desenvolver uma ou duas amizades reais - virtuais muitas! - as crianças, ao sair de casa para esses inúmeros cursos, sentem dificuldade no relacionamento e muita insegurança. Como solução, muitas são como que obrigadas a transportar de forma inconsciente essa bolha material invisível para se refugiar: celulares com os seus derivativos, mp4 player, livros... Tendo dificuldade para se comunicar e descobrir um "outro tu", reforçam a bolha material criando uma nova camada que poderíamos chamar de "bolha psicológica", que as cegam para qualquer interesse que não seja individual.

Por fim, se tiveram a sorte de conseguir ingressar na vida universitária, onde existe habitualmente uma explosão intelectual, um aumento do conhecimento e uma liberdade falsamente ilimitada, os jovens que não aprenderam o certo e errado, sentem necessidade de criar uma ética própria para satisfazer suas inseguranças ou justificar suas ações, muitas vezes erradas, que tranquilize suas consciências. Criam uma terceira camada da bolha, chamada "bolha filosófica". As tragédias nesta fase, que quase sempre são de tentativa e erro, costumam ser frequentes e deixam marcas para o resto da vida.

Esta tríplice camada que envolve os "meninos-bolha" é a que produz depois uma enorme força-resultante centrípeta egocêntrica que os leva a realizar somente aquilo que alimenta um eu voraz de prazer sem lógica e sem limites, gerando, consequentemente, um subjetivismo irracional, uma ética sem fundamentos sólidos e, ao final, um coração embolhado, isto é, vazio de amor: não conseguem entender a linguagem do amor e da amizade verdadeiros. Estes "meninos-bolhas" não conseguem, na prática, transcender e valorizar a ética, porque ela só se busca quando se tem um porto a chegar, um ideal de perfeição a se alcançar.

A forma de se abrir para uma educação ética é esperar que a própria vida, com suas vicissitudes e tragédias dolorosas, se encarregue de furar a bolha, acordando-os para uma realidade que não conhecem. Outra forma mais prazerosa e inteligente, é aquela em que um amigo(a) os ajude não só a repensar a própria vida moral, mas também a descobrir que é a própria dinâmica e vivência das virtudes da temperança, fortaleza, justiça e prudência, nessa ordem, que evitará que essas bolhas e camadas se formem.

João Malheiro é doutor em Educação e integra o grupo de

 Pesquisa de Ética na Educação, da UFRJ.

 

 

 

 

 

A DIFÍCIL ARTE DE DIZER NÃO AOS FILHOS

Você costuma dizer "não" aos seus filhos?
 

 

Considera fácil negar alguma coisa a essas criaturinhas encantadoras e
de rostos angelicais que pedem com tanta doçura?

Uma conhecida educadora do nosso País alerta que não é fácil dizer não
aos filhos, principalmente quando temos os recursos para atendê-los.

Afinal, nos perguntamos, o que representa um carrinho a mais, um
brinquedo novo se temos dinheiro necessário para comprar o que querem?
Por que não satisfazê-los?

Se podemos sair de casa escondidos para evitar que chorem, por que
provocar lágrimas?

Se lhe dá tanto prazer comer todos os bombons da caixa, por que
faze-lo pensar nos outros?

E, além do mais, é tão fácil e mais agradável sermos "bonzinhos"...

O problema é que ser pai é muito mais que apenas ser "bonzinho" com os
filhos. Ser pai é ter uma função e responsabilidade sociais perante os
filhos e perante a sociedade em que vivemos.

Portanto, quando decidimos negar um carrinho a um filho, mesmo podendo
comprar, ou sofrendo por lhe dizer "não", porque ele já tem outros dez
ou vinte, estamos ensinando-o que existe um limite para o ter.
Estamos, indiretamente, valorizando o ser.

Mas quando atendemos a todos os pedidos, estamos dando lições de
dominação, colaborando para que a criança aprenda, com nosso próprio
exemplo, o que queremos que ela seja na vida: uma pessoa que não
aceita limites e que não respeita o outro enquanto indivíduo.

Temos que convir que, para ter tudo na vida, quando adulto, ele
fatalmente terá que ser extremamente competitivo e provavelmente com
muita "flexibilidade" ética, para não dizer desonesto.

Caso contrário, como conseguir tudo? Como aceitar qualquer derrota,
qualquer "não" se nunca lhe fizeram crer que isso é

possível e até normal?

Não se defende a idéia de que se crie um ser acomodado sem ambições e
derrotista. De forma alguma. É o equilíbrio que precisa existir: o
reconhecimento realista de que, na vida às vezes

se ganha, e, em outras, se perde.

Para fazer com que um indivíduo seja um lutador, um ganhador, é
preciso que desde logo ele aprenda a lutar pelo que deseja sim, mas
com suas próprias armas e recursos, e não fazendo-o acreditar que
alguém lhe dará tudo, sempre, e de "mão beijada"

Satisfazer as necessidades dos filhos é uma obrigação dos pais, mas é
preciso distinguir claramente o que são necessidades do que é apenas
consumismo caprichoso.

Estabelecer limites para os filhos, é necessário e saudável.

Nunca se ouviu falar que crianças tenham adoecido porque lhes foi
negado um brinquedo novo ou outra coisa qualquer.
Mas já se teve notícias de pequenos delinqüentes que se tornaram
agressivos quando ouviram o primeiro não, fora de casa.
Por essa razão, se você ama seu filho, vale a pena pensar na
importância de aprender a difícil arte de dizer não.
Vale a pena pensar na importância de educar e preparar os filhos para
enfrentar tempos difíceis, mesmo que eles nunca cheguem.

***

O esforço pela educação não pode ser desconsiderado.

Todos temos responsabilidades no contexto da vida,

nas realizações humanas, nas atividades sociais,

membros que somos da família universal.

(Do livro "Repositório de Sabedoria" vol I, Educação)

 

 

 

O paradoxo do Nosso Tempo

Nós bebemos demais, fumamos demais,
gastamos sem critérios, dirigimos rápido demais,
ficamos acordados até muito mais tarde,
acordamos muito cansados,
lemos pouco, assistimos TV demais
e rezamos raramente.

Multiplicamos nossos bens, mas reduzimos nossos valores.
Nós falamos demais, amamos raramente, odiamos frequentemente.  
Aprendemos a sobreviver, mas não a viver.
Adicionamos anos à nossa vida e não vida aos nossos anos.

Fomos e voltamos à Lua, mas temos dificuldade em cruzar a rua
e encontrar um novo vizinho.
Conquistamos o espaço, mas não nosso próprio.
Fizemos muitas coisas maiores, mas pouquíssimas melhores.  

Limpamos o ar, mas poluímos a alma;
dominamos o átomo, mas não nosso preconceito;
escrevemos mais, mas aprendemos menos;
planejamos mais, mas realizamos menos.
Aprendemos a nos apressar e não, a esperar.

Construímos mais computadores para armazenar mais informação,
produzir mais cópias do que nunca, mas nos comunicamos menos.
Estamos na era do 'fast-food' e da digestão lenta;
do homem grande de caráter pequeno;
excesso de reuniões e relações vazias.

 Essa é a era de dois empregos,
vários divórcios, casas chiques e lares despedaçados.
Essa é a era das viagens rápidas, fraldas e moral descartáveis,
das rapidinhas, dos cérebros ocos e das pílulas "mágicas".  

Um momento de muita coisa na vitrine e muito pouco na dispensa.
Uma era que leva essa carta a você,
e uma era que te permite dividir essa reflexão ou simplesmente clicar 'delete'.  

Lembre-se de passar tempo com as pessoas que ama,
pois elas não estarão por aqui para sempre.
Lembre-se dar um abraço carinhoso num amigo,
pois não lhe custa um centavo sequer.
Lembre-se de dizer "eu te amo" à sua companheira(o)
e às pessoas que ama.
Um beijo e um abraço curam a dor, quando vêm de lá de dentro.

O segredo da vida não é ter tudo que você quer,
mas amar tudo que você tem!!!  
Por isso, valorize o que você tem e as pessoas que estão ao seu lado.

 George Carlin 

 

 

Da neurociência às praticas sustentáveis

incorporando valores à sustentabilidade

Regina Migliori

 

A responsabilidade moral é a mais pessoal e inalienável das posses humanas, e o mais precioso dos direitos humanos. Não pode ser eliminada, partilhada, cedida, penhorada ou depositada em custódia segura. É incondicional e infinita, e manifesta-se na constante tortura de não se manifestar a si mesma suficientemente.                                                                                                                                                      Zygmunt Bauman

 

Quão diferente seria o mundo se nosso cérebro ético fosse mais evoluído? Recentes pesquisas da neurociência nos permitem fazer uma aproximação com as questões da sustentabilidade.

Neurocientistas vêm identificando no cérebro humano, uma região destinada ao processamento de valores. Esta notícia revoluciona o entendimento sobre ética e moralidade. Esta pauta deixa de ser exclusivamente filosófica, política, ou comportamental, e se amplia para incluir a dinâmica neurofisiológica.

Estamos longe de solucionar os mistérios da relação cérebro/mente/consciência, mas sabemos um pouco mais, e isso pode nos auxiliar nos desafios da sustentabilidade.

É uma revolução se iniciando.

Na parte frontal do cérebro, nos lobos frontais, dispomos de neurônios dedicados a realizar sinapses com foco em aspectos éticos e morais. Estas sinapses compõem redes neurais, uma espécie de “avenidas” por onde transitam nossos pensamentos.

Demonstrações por neuroimagem têm fornecido evidências sobre a dinâmica destas redes frontais. Trata-se de um elenco de operações cognitivas do qual fazem parte a flexibilidade, o planejamento cognitivo, e a auto-regulação dos processos mentais e comportamentais.

Estas evidências reabrem o debate sobre a natureza humana: ficou difícil sustentar a afirmação de que não há em nós um potencial ético natural. Passa-se a falar em uma inteligência ética. Se reconhecida como um potencial humano, então pode ser desenvolvida.

Os lobos frontais são também responsáveis pelas formas mais elaboradas de comportamento: os que resultam de metas impostas pelo próprio indivíduo, que dependem de planos e estratégias, que regulam idéias e ações por meio do diálogo interior, tais como esperar alguém mais dez minutos ou ir embora e deixar um bilhete.

Descobriu-se que solicitações verbais são eficazes para dar início a estes comportamentos, mas não têm a mesma eficácia para interrompê-los ou redirecioná-los. Neste processo decisório, o diálogo interior é mais relevante do que a recomendação externa.

Esta evidência põe em cheque o tradicional poder atribuído a processos prioritariamente verbais. Tenho repetido reiteradamente: “braços não saem da orelha”, ou seja, para um ser humano alterar sua ação, não basta receber instruções, explicações, ou informações. É preciso “acreditar” que vale à pena – este é o resultado de um complexo diálogo interior, agora mapeado pela neuroimagem.

Lideranças, comunicadores, educadores, profissionais de RH, precisam se render a essas evidências, e rever as formas como vêm tentando estimular o compromisso com causas, projetos e ações junto às pessoas com quem se relacionam.

Existe uma profunda diferença entre a experiência de “perceber” e a de “agir”. Na percepção se tem a sensação de que “isto está acontecendo comigo”,. Na experiência de agir, a sensação é de que “faço isso acontecer”, e a sensação seguinte pode ser “poderia fazer algo mais”.

É na experiência de agir que se encontra nossa inabalável convicção de vontade. Assim, a liberdade é um componente essencial da ação com uma intenção. Mas nem todas as ações são processadas no lobo frontal, com este caráter intencional de vontade.

Em outras regiões do cérebro, identificam-se comportamentos automáticos, como um reflexo, ou impulsos interiores - estados motivacionais, que resultam em comportamentos motivados. Entre eles, há aqueles provocados por forças fisiológicas bem definidas, como a regulação da temperatura, fome ou sede. O atendimento a estes estados motivacionais têm uma dimensão biológica, mas em grande parte, o que nos move é a pura busca do prazer.

Há também os comportamentos motivados de natureza mais complexa, sem qualquer determinação biológica identificável, estimulados por impulsos interiores puramente subjetivos.

É importante saber que estes comportamentos motivados, tanto os de fundo fisiológico como os subjetivos, são aprendidos ao longo da vida. E passam a ser percebidos como “necessidades”, sem que tenhamos consciência do seu alto nível de condicionamento.

Mais ainda, o prazer obtido com estes comportamentos pode ser relacionado a uma recompensa, um reforço positivo, e dessa forma transformar-se em causa permanente de busca de satisfação e bem estar. O prazer é um objetivo tão poderoso, que neste processo de condicionamento pode produzir a compulsão de repetir exageradamente um comportamento, ao ponto de causar dependência psicológica ou física.

Cuidado! Estamos entrando no território minado do neuromarketing. Seus limites morais são tênues. Bombas antiéticas podem explodir sem aviso prévio.

Um alerta para as nossas relações humanas: que tipo de comportamentos são estimulados e recompensados nos modelos atuais? Estamos estruturando cérebros forjados em necessidades com foco exclusivo no interesse próprio, na recompensa imediata? Estimulamos a dependência a comportamentos condicionados por um modelo de vida pouco sustentável? Sabemos estimular ações baseadas em valores, intencionalmente estruturadas como um ato responsável da nossa vontade?

A neurociência pode nos auxiliar nessas respostas. Demonstrações de neuroimagem apresentam evidências objetivas sobre estes comportamentos, e podem compor indicadores de desenvolvimento.

Voltando ao cérebro ético, também é aí que processamos a responsabilidade pelo futuro.  A região do cérebro frontal é a responsável pelos comportamentos que encerram um fator de expectativa, que dependem de apreciação sobre ocorrências e eventos em pontos distintos do futuro. Podemos dizer que ser sustentável depende muito desta capacidade.

Sustentabilidade vem sendo compreendida como uma noção sistêmica, em que ações precisam ser executadas sob a ótica dos impactos atuais e futuros. Neste sentido, um dos maiores desafios tem sido o “pensar sustentável”. Temos sido pouco competentes em aliar expectativas, ações e impactos presentes e futuros de forma simultânea. Ou seja, precisamos aprender a conceber conceitos, tecnologias, métodos, planos, ações suficientemente eficazes e benéficas no presente e no futuro.

Integrar pensamento sistêmico à perspectiva ética continua sendo desafiador.

Temos o potencial inteligente e ético para lidar com estes desafios. Mas precisamos desenvolvê-los. Não será repetindo modelos que o faremos.

 
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